domingo, 8 de julho de 2007

Procuro palavras


Procuro palavras
Simples, sentidas
Espontâneas, exactas
Fluentes, decididas


Procuro palavras
Que acalmem tormentos,
Silenciem angústias,
Traduzam emoções,
Ordenem pensamentos.


Procuro palavras,
Mas as que encontro
São todas inexactas,
Frágeis, inseguras,
Duvidosas, ocas!


Por isso aqui estou,
Sem ter uma ideia,
Sem inspiração,
Sentindo fugir
Toda a lucidez.


segunda-feira, 2 de julho de 2007

Acima de qualquer suspeita...

Agora que tanto se fala nos professores, que saltaram para a ribalta porque, de repente, toda a gente descobriu que eram a pior espécie ao cimo da terra, sobretudo se forem professores e funcionários públicos, eu sinto necessidade de escrever sobre o tema.
Não vou, como seria de esperar de uma professora com quase trinta anos de serviço, começar aqui a lamentar-me, nem me vou defender, porque não me sinto culpada de nada. Sempre tentei fazer o meu melhor. Mas tenho uma pergunta: quando se escreve, se fala, se debate, se faz humor a propósito dos docentes, incluem-se os do Ensino Superior? Não?! Nem pensar?!Têm a certeza!? Era o que eu esperava. Superior é sinónimo de "à parte", "elevado", "intocável". Se calhar, estou com um problema de sinonímia - não consigo encontrar um sinónimo total. Mas também pouco importa.
E por que motivo falo eu dos senhores professores do Ensino Superior? Por achar que é preciso falar de TODOS os professores. Fui aluna do superior, tenho um fiilho que já foi aluno e ainda tenho outro filho no 4º ano de um curso universitário. Hoje, este último, disse-me uma coisa que julguei anedota. Mas não era. Um dos seus digníssimos professores afixou, na semana passada, uma pauta. Naturalmente, os alunos cumpriram o dever de verificar os resultados. Uns ficaram contentes, outros nem por isso. Passou o fim de semana e, muito mais tranquilo, o senhor professor afixou nova pauta. Também é "quase" normal. Podia ter-se esquecido de um aluno! Mas não! O caricato aconteceu. Alguns dos alunos que já tinham visto a pauta e estavam aprovados na cadeira tiveram uma surpresa: agora estão reprovados! O que era deixou de ser! Felizmente, o meu filho não foi contemplado pela surpresa! Por enquanto! Quem sabe se aquela pauta não estará em constante mudança?
Pergunto eu: se isto acontecesse numa escola secundária o que seria do professor? O dicionário de calão não teria termos suficientes para o insultar, no mínimo!
O que me faz confusão (e já fazia, quando fui aluna) é que no Ensino Superior os alunos não vejam todos as suas frequências, os seus exames, os seus trabalhos. Limitam-se a fazê-los, a receber as notas, ponto final. Querem ver alguma coisa? Então paguem (no privado!); falem com o professor (com cuidado, pode ele voltar a leccionar outra cadeira vossa!); esqueçam o assunto e fiquem na dúvida; vejam, mas apesar do que virem, resignem-se, porque está feito e "eu é que mando", etc.
Podia ficar aqui a contar destas "anedotas" e até outras muito mais interessantes, como aquela em que um professor, na segunda época, mandou sentar os alunos que tiveram menos de seis no primeiro exame, à direita; os que tiveram menos de oito, ao centro; os restantes à esquerda. Porque seria? Para os alunos ficarem mais calmos antes do exame?!!!
Antes de terminar este meu "post", quero dizer que tive excelentes professores e que também os meus filhos tiveram a sorte de encontrar alguns. Humanos, do Superior sem se acharem "superiores", sem medo de serem questionados, porque sabiam o que faziam. Mas os restantes fazem o que querem e até acham que, se são contestados, é porque são exigentes. E exibem esse "estatuto". E não há quem, dentro da instituição, os faça mudar de ideias. Nem sei mesmo se tentam. A ideia que passa para fora das universidades é que o corpo docente está desmembrado! É cada um por si.
Gente incompetente há em todo o lado, professores incompetentes também há em todos os níveis de ensino. Não somos só nós, os do "inferior"! A cada um o que lhe é devido!

terça-feira, 26 de junho de 2007

Traços...



Cada traço destes quadros, feitos ontem, corresponde a um dos pensamentos que me torturam dia e noite. Enquanto passo o pincel na tela, sinto-me quase que totalmente alheada do que se passa à minha volta... E isso é bom...

domingo, 24 de junho de 2007

Paisagem alentejana

Alentejo, da minh'alma, tão esquecido vais ficando...

Dar cor ao desespero...












quinta-feira, 21 de junho de 2007

Auto-retrato (Pastiche...)

Forte, de olhos verdes, loiro o cabelo
Mãos calejadas e normal na altura
Temendo fazer sempre má figura,
Pondo no trabalho todo o seu zelo,

Enfrenta o mundo com curiosidade,
Resiste com furor ao dia-a-dia.
Por vezes, sente fraca a ousadia
E vê, já muito ao longe, a mocidade.

Dada na amizade, fiel no amor,
Desejando paz para o mundo inteiro,
Prefere o frio, suporta o calor.

Eis Maria, natural deste canteiro
Plantado junto ao belo rio Sor,
Que escreveu este soneto, o primeiro.

Janeiro/2004


Brincadeira feita numa aula, enquanto os alunos faziam o mesmo exercício, a partir de um soneto de Bocage.

domingo, 17 de junho de 2007

Fantasmas



Sinto-me disléxica. Por mais que tente, não consigo soltar as palavras de que preciso para exprimir o que sinto, apesar de, na minha cabeça, ter mil vozes fantasmagóricas que proferem palavras desconexas, numa vertigem incontrolável.


Acho os dias absurdos. Não encontro solução para a longa equação das minhas dúvidas. Tudo em mim é projecto abandonado e, ao mesmo tempo, é culpa pelo abandono. Em tudo procuro remédio para esta angústia que me deixa exausta. No fundo, sei que o meu problema está identificado e é insolúvel. Mas isso de nada me vale. Continuo a não aceitar que tenha perdido tão cedo o meu porto de abrigo. O teu sorriso. O teu toque. As tuas carícias. O veludo dos teus lábios. As nossas músicas. As nossas danças. Os nossos passeios. A nossa vida.


Tudo se dissipou e resta apenas a memória, mas mesmo essa surje, aqui e além, maculada pela alucinante expressão do teu sofrimento, de dor, de delírio, da indelével tristeza que acompanhou os teus últimos dias. E eu não pude fazer nada, nada, nada... Que sentimento de impotência e que revolta... Que saudade, meu amor!


quinta-feira, 14 de junho de 2007

Futilidades...

Brincadeiras com copos e pratos. Utilidade? Pois, nenhuma ou quase nenhuma...



Quando o trabalho aperta e, de repente, não sabes por onde começar, o melhor mesmo é fazer algo sem interesse, para ver se se recuperam forças. Depois, toca a acelerar!

domingo, 10 de junho de 2007

Mar revolto...

Hoje, dentro de mim, há um mar,
Agreste, frio, medonho, turbulento
Que me faz rodopiar com violência…
Sinto-me perdida entre as ondas,
Em vão busco socorro, que não chega…
Tudo gira, gira em grande náusea
Num louco frenesim que já me cega.
Ó brisa fresca que acaricias
Volta acalmar este vendaval,
Traz contigo o sol, traz a maresia,
Afaga-me o rosto, pára este mal…
Quero voltar à vida, quero sobreviver,
Quero abrir o livro das boas memórias,
Quero sentir o afago, a carícia leve
Dos braços seguros que me amparavam...
Quero sentir o gosto dos momentos calmos,
Dos dias tranquilos que o vento levou.
Quero voltar a ser aquilo que era,
Pois estou cansada, já não posso mais
Continuar a ser aquilo que sou…

sábado, 2 de junho de 2007

Primeiras experiências em acrílico sobre tela...

Geometria a cores... Foto sem rigor geométrico...


Gosto do azul. Gosto de flores. Gosto de paz. Gosto de ti acima de tudo.