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domingo, 17 de junho de 2007

Fantasmas



Sinto-me disléxica. Por mais que tente, não consigo soltar as palavras de que preciso para exprimir o que sinto, apesar de, na minha cabeça, ter mil vozes fantasmagóricas que proferem palavras desconexas, numa vertigem incontrolável.


Acho os dias absurdos. Não encontro solução para a longa equação das minhas dúvidas. Tudo em mim é projecto abandonado e, ao mesmo tempo, é culpa pelo abandono. Em tudo procuro remédio para esta angústia que me deixa exausta. No fundo, sei que o meu problema está identificado e é insolúvel. Mas isso de nada me vale. Continuo a não aceitar que tenha perdido tão cedo o meu porto de abrigo. O teu sorriso. O teu toque. As tuas carícias. O veludo dos teus lábios. As nossas músicas. As nossas danças. Os nossos passeios. A nossa vida.


Tudo se dissipou e resta apenas a memória, mas mesmo essa surje, aqui e além, maculada pela alucinante expressão do teu sofrimento, de dor, de delírio, da indelével tristeza que acompanhou os teus últimos dias. E eu não pude fazer nada, nada, nada... Que sentimento de impotência e que revolta... Que saudade, meu amor!