segunda-feira, 21 de maio de 2018

São múltiplas as vozes
Que ecoam no silêncio
Destas frias paredes
Erguidas como espadas
Em torno de mim
Como ameaças perpétuas
À pouca lucidez que me resta.

São múltiplas as lágrimas
Que brotam revoltadas
Destes olhos exaustos
Que se perdem em buscas
Do eternamente perdido.

São múltiplos os gestos
Que não chegam a ser
Por não terem destino.

Tantos são os medos
Do simples andar
Pelas horas tão longas.

Tão longe o refúgio,
Promessa tardia
Da paz desejada.
Quem me fez nascer
Quem me pôs no mundo
Sem saber se eu queria?

domingo, 8 de abril de 2018

Que barulho intenso
Me perturba a mente,
Fantasmas da vida
E tu, tão ausente...
Ecos do silêncio
No fundo da alma
Acordam a dor,
Retiram-me a calma.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Somos 
Uma equação complicada,
Cheia de incógnitas.
Em busca do resultado,
Umas vezes, somamos,
Elevamos ao quadrado,
Adicionamos frações.
A seguir, multiplicamos.
Num ápice, diminuímos,
Tendemos para infinito.
Depois de contas sem fim
E com um rigor severo,
Invariavelmente vemos
Que somos iguais a zero.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

A vida vai-me ensinando
Lições em todos os dias,
Mas não sei 'inda lidar
Com tantas hipocrisias.
Talvez já não tenha tempo
De mudar o meu agir,
Pois demoro a aprender
Como se deve mentir.
Aos pouquinhos descobri
Que comprar e não pagar
É uma regra comum
E não faz envergonhar.
Também já sei que viver
À conta do "se me dão"
Não cansa pernas nem costas
Nem causa grande aflição.
Roubar pouco não interessa
Que te podem vir prender!
Rouba muito, até poderes
Que te vão enaltecer.
Se fores honesto e capaz,
Mas contestares um pouquinho,
Em toda a vida serás
Um pobre desgraçadinho.
Se fores trafulha e ousado,
Mas tiveres nome sonante,
Podes ser por toda a vida
Um vigarista elegante.
Tanta coisa neste mundo
Que me deixa boquiaberta
E todos os dias faço
Uma nova descoberta.
Mudar a minha atitude
Está fora de questão,
Mas vou ficando encharcada
Em muita desilusão!!

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Quando os outros é que importam, mas tu não
Quando os outros tudo querem, mas tu não
Quando os outros só te usam e se lamentam,
E acham que não fazes quanto podes,
Se te restarem forças lá no fundo,
Respira intensamente e grita ao mundo
Que és apenas gente e nada mais,
Que também sentes as tristezas dos demais
E tens milhares de dores que silencias,
E que, se calhar, também tu apenas querias
Delegar noutros o peso que carregas,
Aconchegar a cabeça no lençol,
Dormir tranquilamente a noite inteira
E acordar apenas porque há sol!

terça-feira, 24 de outubro de 2017

E,no final, há apenas silêncio...
Há a paz desejada,
A tranquilidade que sempre nos fugiu,
O sono oferecido e eterno.
Não deveríamos chorar o fim, 
Antes celebrá-lo entre rosas e amigos!
Quando nascemos, choramos.
Porque nos iludimos então?
Se nascer fosse uma dádiva,
Se vir ao mundo merecesse celebração,
Decerto começaríamos
Ao som de uma bela canção...

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

E, por vezes, os dias têm meses
E são meses que mais parecem anos,
Quando na vida são poucos os interesses
E o teu percurso está cheio de desenganos.

E, por vezes, os dias são cinzentos,
Por vezes, o céu só tem neblina
E o longe não se vê, nem se imagina
E ficas fustigada pelos ventos.

Por vezes, as águas ficam turvas
E os ventos sibilam, desvairados,
E há trovões, relâmpagos, até chuvas
E os remos do teu barco já quebrados.

E as águas, hora a hora, mais profundas
E tu, sem forças, sem vontade, em estilhaços...
E não ousas, e não vives, só te afundas
Com tua alma desfeita em mil pedaços.

A vida, que foi sonho, é pesadelo
O sonho, que foi grande, é utopia
E tu, impotente, em agonia,
Sentes o coração tornar-se em gelo.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Longos são os dias
Em que me perco
Nas memórias de tempos que não voltam,
Em silêncios que pesam e torturam,
Em confusos labirintos do ser.
Longas são as noites
Em que procuro a paz
E encontro apenas a ausência,
O pesadelo que me sufoca,
A pesada escuridão.
Longa é a vida,
Quando nada resta,
Quando o sonho se perdeu
E tudo é desilusão...
Só me resta o olhar,
Perdido no vazio,
Sem saber onde encontrar
O leme do navio...
No que é que estou a pensar,
Neste dia de calor,
Pergunta-me a geringonça,
Que até se julga um primor.
Não sei se penso, se durmo,
Se apenas tento esquecer,
Estou aqui a olhar pra ti
Por nada ter que fazer.
Para a rua não posso ir,
Que me mata o sol ardente,
Fico aqui a dormitar
E finjo que estou contente.
Se não quiser dormitar,
Bebo cafés sem destino,
Logo à tardinha nem sei
Para onde me foi o tino.
Domingo é dia monótono,
E passa tão lentamente
Que logo depois do almoço
Começo a ficar doente.
Não sei se te respondi
E se já estás satisfeito,
Eu não te posso dizer
Tudo o que sinto no peito.