terça-feira, 18 de junho de 2019

Inquéritos, burlas, investigação,
Folhas, folhinhas, tribunais e leis,
Desvios, prejuízos, mas vida de reis...
Rios de notícias, crónicas, debates,
Rusgas, polícias, outros disparates.
Dinheiro sem destino, tudo gasto em vão,
Porque não há rei que vá p'ra prisão!
E o pobre povinho, vergado à torrina,
Tira o chapéuzinho a esta gentinha!
E à noite reza, tremendo de dor,
Pedindo mais força e uma côdea de pão,
Sorte para os filhos
E o bem da nação...

domingo, 9 de junho de 2019

Em fogo lento,
Entre magma
s e rochedos,
No mais longínquo do ser,
Vai-se formando,
Lentamente,
Persistentemente,
No mais recôndito recanto da semiconsciência,
O pequeno vulcão.
De quando em quando, tudo estremece
E testa-se a fragilidade da cratera.
Um dia, quando ninguém esperar,
O vulcão, impiedoso,
Lançará num rio bem rubro
As matérias candentes que o sufocam.

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Ai se eu fosse costureira,
Entre agulhas e dedais,
Que feliz eu não seria
Quanto viveria mais!!
Ai se eu tivesse uma horta,
Com couves e alfacinhas,
Que feliz eu não seria,
Logo pelas manhãzinhas...
Ai se eu fosse pintora,
Entre telas e pincéis,
Que feliz eu não seria,
Livre de tantos papéis!!!
Ai se eu lavasse escadas,
De mármore liso e branquinho,
Que feliz eu não seria,
Ao ver tudo lavadinho!!
Ai se a vida fosse fácil,
Se o mundo fosse perfeito,
Que feliz eu não seria,
Com quanta calma no peito!!

quarta-feira, 29 de maio de 2019

R de...
Relevância
Rever
Retificar
Reiterar
Refletir
Rigoroso
Reputação
Razão
Realidade
Revoltar
Relativizar
Relaxar
Refugo
Reter
Revés
Retenção
Relutante
Retaliação
Reprimir
Recear
Rutura
Resvalar
Romper
Ranger
Raiva
Raiva
Raiva...

terça-feira, 21 de maio de 2019

De olhos abertos, o mundo é constrangedor:
Cabeças ocas ostentam vaidades,
Gente hipócrita debita simpatias,
Vampiros risonhos aspiram aos céus!!
O homem vulgar, humilde e trabalhador,
Endoidece entre leis e regras de moral,
Entre contas e pudor,
Deita-se extenuado e acorda em sobressalto,
Porque não tem coragem de gritar a sua dor.
Fechar os olhos e praticar a indiferença
É o caminho para atenuar o sofrimento
E conseguir viver num meio tão opressor...

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Que vida!
Que caminho doloroso!
Que dura peregrinação!
Palavras, aprisionadas,
Semeiam mil fantasmas
Na tua imaginação!
O tempo, ora lento, ora veloz,
Não deixa margens ao sonho
E sufoca o coração
Com um sofrimento atroz.
E os desejos apagam-se
Como o brilho do olhar.
Soma-se dia após dia
E só te resta esperar...

sábado, 14 de julho de 2018



Já fui forte, poderosa,
Cheia de brilho e vigor,
Testemunha de promessas,
Amparo de desvalidos,
Dei sombra a desprotegidos
E ouvi juras de amor!

Sofri chuva e vendavais,
Ouvi trovões e rajadas,
Perdi folhas e pernadas
E não me dei por vencida.
Já fui casa de pardais,
Em mim gravaram sinais
Era esta a minha vida.

Mas o esplendor já se foi,
Meu tronco cedeu à idade
E fui ficando vergada,
Já não sirvo para nada
E, sem dó nem piedade,
Fui simplesmente cortada.

Restam-me ainda raízes
E, mesmo com cicatrizes,
Teimo em brotar novamente.
Esta vida é mesmo assim:
Sofres sempre enquanto vives
Mas lutas até ao fim!

segunda-feira, 21 de maio de 2018

São múltiplas as vozes
Que ecoam no silêncio
Destas frias paredes
Erguidas como espadas
Em torno de mim
Como ameaças perpétuas
À pouca lucidez que me resta.

São múltiplas as lágrimas
Que brotam revoltadas
Destes olhos exaustos
Que se perdem em buscas
Do eternamente perdido.

São múltiplos os gestos
Que não chegam a ser
Por não terem destino.

Tantos são os medos
Do simples andar
Pelas horas tão longas.

Tão longe o refúgio,
Promessa tardia
Da paz desejada.
Quem me fez nascer
Quem me pôs no mundo
Sem saber se eu queria?

domingo, 8 de abril de 2018

Que barulho intenso
Me perturba a mente,
Fantasmas da vida
E tu, tão ausente...
Ecos do silêncio
No fundo da alma
Acordam a dor,
Retiram-me a calma.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Somos 
Uma equação complicada,
Cheia de incógnitas.
Em busca do resultado,
Umas vezes, somamos,
Elevamos ao quadrado,
Adicionamos frações.
A seguir, multiplicamos.
Num ápice, diminuímos,
Tendemos para infinito.
Depois de contas sem fim
E com um rigor severo,
Invariavelmente vemos
Que somos iguais a zero.