domingo, 10 de junho de 2007

Mar revolto...

Hoje, dentro de mim, há um mar,
Agreste, frio, medonho, turbulento
Que me faz rodopiar com violência…
Sinto-me perdida entre as ondas,
Em vão busco socorro, que não chega…
Tudo gira, gira em grande náusea
Num louco frenesim que já me cega.
Ó brisa fresca que acaricias
Volta acalmar este vendaval,
Traz contigo o sol, traz a maresia,
Afaga-me o rosto, pára este mal…
Quero voltar à vida, quero sobreviver,
Quero abrir o livro das boas memórias,
Quero sentir o afago, a carícia leve
Dos braços seguros que me amparavam...
Quero sentir o gosto dos momentos calmos,
Dos dias tranquilos que o vento levou.
Quero voltar a ser aquilo que era,
Pois estou cansada, já não posso mais
Continuar a ser aquilo que sou…

sábado, 2 de junho de 2007

Primeiras experiências em acrílico sobre tela...

Geometria a cores... Foto sem rigor geométrico...


Gosto do azul. Gosto de flores. Gosto de paz. Gosto de ti acima de tudo.





segunda-feira, 28 de maio de 2007

Agora sei...

Já fui jovem, sonhadora,
Ingénua, lutadora, apaixonada.
Já pensei que a vida era uma dádiva,
Que era bela, sedutora, abençoada.
Fiz projectos a prazo, a longo prazo,
Elaborei contratos, objectivos
Que assinámos os dois, tão confiantes!
Tivémos momentos que gravo na memória,
Que, ainda hoje, me iluminam o sorriso.
Mas agora aprendi outra verdade:
A vida não depende de um projecto,
A vida não depende de um querer.
A vida tem apenas uns instantes
Que nos tocam e envolvem com prazer.
Rápidos, às vezes tão imperceptíveis
Que corremos o risco de os perder.
Tudo o resto é ditado pelo destino,
É lotaria, é confuso labirinto,
Que percorremos guiados pelo instinto
Convencidos que a razão nos orienta...
Depois, pressionados pelo tempo,
Hesitantes entre a esperança e a ansiedade
Tememos não encontrar uma saída.
E a luta é injusta, é desigual...
Esgota forças, alegria, fé, moral
E, por mais que queiramos,
Por mais que imploremos,
O destino é implacável.
Ficam, então, os projectos por cumprir
Ficamos nós exaustos, confusos, num desnorte,
Sabendo uma única verdade:
Nada na vida é certo, só a morte!

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Marionetas

A minha alma vagueia
Por recantos incertos...
Alheia, confusa, sem memória,
Sem destino, sem vontade, sem querer...
A luz do sol já não me guia
O meu percurso é ao acaso...
Sonhei com outra vida,
Tracei outras quimeras.
Quis envelhecer tranquilamente
Na paz, no conforto dos teus braços.
Tudo se dissipou...
Não, não basta lutar
Não, não basta querer
Nem sequer basta acreditar!
Somos apenas marionetas
Comandadas do alto.
Se, no espectáculo da vida,
O gesto impiedoso, fulminante,
Faz tombar uma delas
A outra não resiste:
Fica trémula, insegura, perturbada.
E, então, o resto do espectáculo
É apenas p'ra cumprir sem emoção.

domingo, 20 de maio de 2007

Sentimentos

Às vezes, olho as profundezas do meu ser
E fico arrepiada.
Que sentimento é este?
Que mistura de dor e de revolta,
Que vontade de fugir e de gritar!
Os dias surgem frios e rotineiros,
A solidão tornou-se habitual.
A frieza ganha espaço no meu íntimo,
A revolta é crescente e natural.
Sei que de nada vale tudo isto,
Nâo há solução para o meu sofrer.
Não sei se há culpados ou se não,
O que sei, com certeza, por agora,
É que se há, como dizem, poder divino,
É de um deus cruel, de um deus que humilha,
Que se alimenta das lamúrias dos seus filhos,
Que, como todos os poderosos que conheço,
Usa o poder para ver bem inquietos
Todos aqueles que de si precisam
E espalha injustiças em todos os seus gestos.

Hortênsias

No meio de flores, sinto-me sempre bem. As cores, os cheiros, as formas. Tudo é perfeito numa flor. Como em ti. Infelizmente, a sua vida é quase sempre fugaz. Como foi a tua.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Palavras que podiam ter sido tuas...

"Não acreditava que um dia destes chegasse. E agora, Março de 2007, veio com a brutalidade de uma explosão no peito. Não imaginava que fosse assim, tão doloroso e, ao mesmo tempo, tão pouco digno como a velhice e a decadência. Tão reles. O olhar de pena dos outros, palavras de esperança em que não têm fé" – escreve Lobo Antunes.
Sobre o cancro, escreve: "Mói e mata. Mata. Mata. Mata. Mata. Levou-me tantas das pessoas que mais queria. E eu, já agora, quero-me? Sim. Não. Sim. Não — sim."
Encontrei hoje, por acaso, estas palavras de Lobo Antunes. Senti um arrepio. Nunca nenhuma das suas crónicas me fizera sentir assim. É que esta é isenta de ironia, é fruto da consciência de um sofrimento sem fim, do precipício incontornável, da viagem certa, apenas sem data marcada.
Nunca nada nem ninguém pode confortar um doente de cancro. A sua vida desaba no momento em que é feito o diagnóstico. Ao contrário de Lobo Antunes, eu diria: O cancro mói. Mói.Mói.Mói.Mói.Mói. Mata.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Para ti, apenas flores...as tuas flores de papel




















Meu amor, que saudade!
O dia surge sempre acinzentado
Como se houvesse nuvens negras
A turvar o brilho do Sol
Que iluminava a nossa vida.
Hoje, já nada tem esse fulgor
Em vez de alegria, está apenas dor
E a vontade, a esperança vão morrendo.
Partiste. Fiquei só e sem rumo,
Os dias e as noites indistintos,
O querer e o fazer descontrolados,
O frio, o gelo, a neve no meu corpo...
Ah! Quem pudera! Se pudesse
Ter-te aqui sempre a meu lado
Tudo despertaria no meu ser!
E então, custasse o que custasse,
Nunca, nunca mais, mas mesmo nunca,
Iria deixar-te entristecer...

domingo, 13 de maio de 2007

Últimos trabalhos...para distrair



A aprendiz de pintora é fraca, a máquina fotográfica não destoa...


Mágoa























Não gastámos as palavras, meu amor…
Não dissémos tantas vezes
Quantas queríamos
O quanto nos amávamos.
Agora, findou o ciclo dos teus dias
E eu sinto cá dentro uma mágoa,
Uma tristeza enorme, sem remédio...
E, por vezes, sinto que errámos,
Que usámos mal o tempo, a nossa vida…
Terá sido isso? Ou será apenas esta ferida
Que, mesmo com o tempo, me atormenta?
Não sei…já nada sei…
Apenas que te perdi de forma horrenda.