terça-feira, 24 de setembro de 2013



Uma indecifrável nostalgia
Paira no limiar do dia por nascer
E mesmo os raios de sol que vão nascendo
Não a levam de mim,
Não me ajudam a esquecer...
Quem sou?
Porque sou?
Até quando serei?
Enigmas da vida não pedida,
Dos dias vividos e a viver....

Não sei quem sou
E tudo o que me creio é ilusão,
Uns dias luz, outros escuridão,
Às vezes esperança, força, vida, amor,
Outras descrença, fadiga, tédio e dor...
Não sei quantos degraus ainda subirei
Nesta viagem dura que é a vida.
Não sei o que me espera
Nem a força que terei
Para vencer os obstáculos da subida.
Só sei que aqui estou,
Sem rumo nem destino
E que um dia partirei para outra margem,
Sem nunca ter compreendido
O início, o meio e o fim desta viagem.

MHG - 24.09.2013

quarta-feira, 18 de setembro de 2013



DESEJOS

Queria perder-me para sempre nos teus braços,
Beber até ao fim a imensidão do teu olhar,
Sentir bem longe de mim estes cansaços
E no teu ombro quente e terno repousar.

Queria ter-te aqui comigo noite e dia
E afagar os teus cabelos prateados,
Saber-te meu fogo ardente em noite fria,
Sonhar contigo os meus sonhos mais ousados.


Queria adivinhar teus simples pensamentos,
Numa cumplicidade louca, própria dos amantes,
Mas a vida também tem os seus argumentos
E nunca, nunca volta a ser como foi antes.
Fantasmas
Cansaço. Tristeza. Cansaço. Ilusão.
E todos os ecos me dizem que não.
Saudade. Cansaço. Dor. Melancolia.
E este silêncio era tudo o que eu queria.
Dúvida. Cansaço. Revolta. Saudade.
E tudo o que peço é serenidade.
Medo. Cansaço. Tédio. Desespero.
E por vezes penso que só exagero....

Angústia. Cansaço. Remorso. Cansaço.
Não sei o que digo, nem sei o que faço.
Cansaço. Cansaço. Desejo. Aflição.
Que mágoas ensombram o meu coração!

sábado, 20 de julho de 2013

 
 
Deixo cair a lágrima que rola
E de olhos fechados
Imagino as tuas mãos
Carinhosas
Percorrendo o meu rosto
Numa sábia carícia
Até que os meus olhos
Se fixem nos teus
E adormeçamos juntos
Nesse sonho impossível.

segunda-feira, 3 de junho de 2013


Hoje, quero escrever-te uma carta de amor,
Uma carta longa e carinhosa,
De múltiplas páginas perfumadas
E cheia de coraçõezinhos desenhados.
Quero dizer-te tudo, tanta coisa...
Quero que saibas, mesmo na distância,
Que tu és o meu mundo
Ou que o meu mundo és tu.
Quero que sorrias ao ler-me pela manhã
Ou que, sem pudor, me chames louca,

Quero que desejes dar-me a mão,
Afagar-me os cabelos
Ou até beijar a minha boca.
E quero ficar a ler e a reler
E a acrescentar mais isto e mais aquilo,
Porque, para ti, tenho sempre que dizer.
Depois, quero fechá-la com carinho,
Encostá-la um pouquinho ao meu peito,
Escrever teu nome com delicadeza,
Desenhar um sol brilhante e radioso
No cantinho superior do envelope
Para saberes que, quando penso em ti,
Sinto o coração num frenético galope,
Sou feliz, sou céu e mar e brisa,
Sou até um pouquinho poetisa,
Sou mais que eu, sou outro eu,
Sou criança, sou guerreira,
Sou rainha sem reino e sem coroa,
Sou até ridícula, como diz Pessoa.


2.junho.2013, sugerido pela música "Love letters", de Armik.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Por mais simétrico que seja meu pensamento,
E junte numa equação
Todos os fatores da minha vida,
Lhe some emoções,
Lhe subtraia desgostos,
A multiplique pela esperança
E eleve ao quadrado
Os momentos belos,
Apenas sei
Que, com régua ou sem ela,

Com esquadro ou sem ele,
O momento é igual a zero
E tende para o infinito.
Povoas os meus dias
De insondáveis dúvidas...
Procuro-te,
Sem saber onde,
Sem saber como,
Sem saber porquê.
Apenas te procuro,
Mesmo sabendo
Que é em vão a busca.
Porque teimamos nós

Em percorrer caminhos
Tão estreitos,
Tão escuros,
Tão distantes,
Onde só cabe um eu
E nunca haverá
Eco de outra voz?

segunda-feira, 8 de abril de 2013



Silêncio,
Silêncio e mais silêncio...
As palavras foram-se,
Os gestos esmorecem.
De que me vale o lamento,
Se te não vejo,
Se te não tenho,
Se te não sinto?
Que vida é esta,
Tão ingrata,
Que te condenou,
Que me arrastou,
Que o sonho matou?
Que futuro é este,
Sem brilho,
Sem luz,
Sem esperança?
Queria ter de volta
O teu olhar,
O teu abraço,
O teu regaço
P'ra descansar...


segunda-feira, 25 de março de 2013

 
Nem o tempo, meu amor, nem este tempo
Nos poupa a lágrimas e ventos furiosos
Como se até a natureza, em querendo,
Se aliasse à voz dos homens desgostosos.

Os dias passam, monótonos e cinzentos,
A chuva cai, gelada e sem piedade,
E nós vemos passar a vida a passos lentos,
Numa indolência que gera a ansiedade.


 
Ao som da chuva que bate na calçada,
Resta o olhar perdido e sonolento,
Olham-se as mãos que já não têm nada,
Esquecem-se sonhos que foram com o vento.

sábado, 23 de março de 2013

 
 
Olho as minhas mãos vazias
E sinto a tua ausência.
Quem foi que destruiu o sonho
Que havíamos traçado
Nos dias amenos que vivemos
Quando tudo era possível
E o tempo era só nosso?
Quem foi que fez de nós
Esta mágoa disfarçada
Este tempo sem tempo

Esta vida sem rumo?
Não fui eu, nem tu…
Não sei quem ousou fazê-lo
Mas fez…
E que nos resta?
Nada. Apenas o silêncio
Dos inocentes condenados.