sexta-feira, 11 de julho de 2014

É nesta amarga imensidão dos dias,
Que percorro, desamparada, as estradas do silêncio
E, sem fôlego, se me apaga a voz
E se me entorpecem os sentidos.
Tento esbater em mim a consciência
E distanciar-me de mim própria
Como se não soubesse quem sou
E é tão grande o fingimento
Que, quando o cansaço me derruba
E os olhos marejados se entregam,...

Não sei mesmo quem sou,
Não me reconheço quando me observo
E não sei para que sirvo...
Que estranha e indecifrável missão
Terão escrito no programa da minha vida?

domingo, 11 de maio de 2014

Deixo-me ficar inerte
Na penumbra silenciosa do meu quarto.
Evito pensar.
Não quero sofrer,
Não quero sentir ausências nem distâncias,
Não quero sequer sonhar.
Deixo que os dias passem,
Dolentes e vazios como sempre,
E talvez o acaso trace a hora
De repor no meu rosto envelhecido
O sorriso inocente da tranquilidade...

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Queria sair por aí, de rosto ao vento
E cabelos molhados pela chuva
Saltitar, alegremente, neste dia tão cinzento,
Rebolar como uma louca no relvado,
Rir às gargalhadas bem sonoras,
Colher florinhas, apanhar amoras,
Dançar alegremente no eirado,
Trautear uma canção mesmo sem voz,
Mostrar loucuras de um coração apaixonado.
E se depois eu ficasse constipada,...

Cheia de tosse e de pingo no nariz,
Que bom seria a teu lado estar deitada,
Bebendo chá com mel, talvez uns pós
E, mesmo doente, com febre, ser feliz.

segunda-feira, 17 de março de 2014


Como um velho pintor, triste e decadente,
Com mãos trémulas e imaginação perdida,
Procuro desenhar-te o rosto calmo e ausente
Na tela branca a um canto adormecida.
Por cada traço que ensaio neste meu esboço,
Uma memória emerge lenta de outros dias
E quando pinto os teus olhos neles vejo
Sonhos vividos, desejos e ousadias.
Traço teus lábios, em fino gesto delicado,
Lembrando as valsas com que a vida nos brindou,
Neles demoro o meu olhar já magoado,
Quando recordo o que fui e já não sou.
Num gesto rápido, de loucura ou desvario,
Tento apagar os traços que de ti eu sempre amei
Para guardar-te num abstrato vago e frio,
Que só eu leio, que só eu sinto e só eu sei.

quarta-feira, 5 de março de 2014

 
Nada. Absolutamente nada.
Apenas o absurdo
Que se adensa com os ventos
Em dias monótonos,
De toada fúnebre
E silêncios fantasmagóricos.
Nada. Absolutamente nada.
Apenas o abandono
No dormitar contínuo
Que gera o pesadelo

E a vontade vence.
Nada. Absolutamente nada
É o que sei
É o que sinto
É o que posso
É o que quero
É o que tenho
É o que ouso.
Nada.
Um nada absolutamente absurdo.

sábado, 1 de março de 2014

PENSO, penso, penso.
Obsessivamente penso.
E sempre concluo que pensar
Me rouba o sorriso,
Me cansa,
Me dói.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Sei que as palavras me fogem.
Escapam-se, irritadas,
Quando percebem que as uso,
Que as manipulo ou até destruo,
Em frases insensatas e banais.
É talvez a minha cobardia,
O medo de as deixar falar,
De as deixar ter a ousadia
De espelharem esta alma aos demais.
Prefiro, ainda que com dor,

Manter só para mim esse segredo,
Guardá-lo cá dentro com rigor
Para evitar o riso, a crítica, a ironia
Ou que ousem revelar com despudor
A verdade, o sonho, o desejo, a fantasia...

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Não sei se é o tempo,
O tempo que se arrasta,
Se a chuva, o frio ou o vento forte,
Não sei o que me oprime e me destrói,
O que me faz chorar perdidamente,
Se é o dia, a noite ou a má sorte.
Só sei que na minha alma não há esperança
E os sorrisos dóceis já escasseiam
E as palavras, aos poucos, já rareiam
E são parcos os momentos de bonança....

Tenho em mim um turbilhão de sentimentos,
Dúvidas, revoltas, medos e terrores
Ânsia, desespero, raiva e até dores
Que me fazem lavrar estes lamentos
E sentir que nada sou, que nada valho,
E que no mundo estou, mas sem ventura,
Sozinha, triste, frágil e insegura
Como uma pobre gotícula de orvalho…

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Do céu nublado e longínquo do ocidente
Saem filtrados brilhantes raios de luz
Que pintam o mar naquela tarde ardente
E desenham uma paisagem que seduz.

Na quietude do mar repousam os meus olhos
E penso em ti, lá longe, tão ausente
E sonho com uma vida sem dor e sem escolhos
Contigo ao lado, juntinhos, para sempre.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Se...
Se a vida não fosse condicionada por constantes conjunções condicionais
E o ritmo dos dias se conjugasse sempre de modo regular
Talvez eu conseguisse seguir rumo ao futuro como os demais
De coração tranquilo, em paz, sem temer nem questionar.
Não é assim a vida, não sei se por bem ou se por mal.
Ela exige de cada um de nós a razão forte a controlar
Mesmo que os nossos olhos vertam lágrimas com sabor a sal.