Tudo o que se divide por dois
Fica reduzido a metade?
Não! Só as coisas materiais!
A ansiedade,
A angústia,
O medo,
A raiva,
As incertezas,
Divididos por dois,
Na ternura de um abraço,
Multiplicam
A calma,
A serenidade,
A audácia,
A benevolència,
As certezas!
Multiplicam a tranquilidade que todos almejamos...
sexta-feira, 26 de julho de 2019
terça-feira, 18 de junho de 2019
Inquéritos, burlas, investigação,
Folhas, folhinhas, tribunais e leis,
Desvios, prejuízos, mas vida de reis...
Rios de notícias, crónicas, debates,
Rusgas, polícias, outros disparates.
Dinheiro sem destino, tudo gasto em vão,
Porque não há rei que vá p'ra prisão!
E o pobre povinho, vergado à torrina,
Tira o chapéuzinho a esta gentinha!
E à noite reza, tremendo de dor,
Pedindo mais força e uma côdea de pão,
Sorte para os filhos
E o bem da nação...
Folhas, folhinhas, tribunais e leis,
Desvios, prejuízos, mas vida de reis...
Rios de notícias, crónicas, debates,
Rusgas, polícias, outros disparates.
Dinheiro sem destino, tudo gasto em vão,
Porque não há rei que vá p'ra prisão!
E o pobre povinho, vergado à torrina,
Tira o chapéuzinho a esta gentinha!
E à noite reza, tremendo de dor,
Pedindo mais força e uma côdea de pão,
Sorte para os filhos
E o bem da nação...
domingo, 9 de junho de 2019
Em fogo lento,
Entre magmas e rochedos,
No mais longínquo do ser,
Vai-se formando,
Lentamente,
Persistentemente,
No mais recôndito recanto da semiconsciência,
O pequeno vulcão.
De quando em quando, tudo estremece
E testa-se a fragilidade da cratera.
Um dia, quando ninguém esperar,
O vulcão, impiedoso,
Lançará num rio bem rubro
As matérias candentes que o sufocam.
Entre magmas e rochedos,
No mais longínquo do ser,
Vai-se formando,
Lentamente,
Persistentemente,
No mais recôndito recanto da semiconsciência,
O pequeno vulcão.
De quando em quando, tudo estremece
E testa-se a fragilidade da cratera.
Um dia, quando ninguém esperar,
O vulcão, impiedoso,
Lançará num rio bem rubro
As matérias candentes que o sufocam.
quinta-feira, 30 de maio de 2019
Ai se eu fosse costureira,
Entre agulhas e dedais,
Que feliz eu não seria
Quanto viveria mais!!
Entre agulhas e dedais,
Que feliz eu não seria
Quanto viveria mais!!
Ai se eu tivesse uma horta,
Com couves e alfacinhas,
Que feliz eu não seria,
Logo pelas manhãzinhas...
Com couves e alfacinhas,
Que feliz eu não seria,
Logo pelas manhãzinhas...
Ai se eu fosse pintora,
Entre telas e pincéis,
Que feliz eu não seria,
Livre de tantos papéis!!!
Entre telas e pincéis,
Que feliz eu não seria,
Livre de tantos papéis!!!
Ai se eu lavasse escadas,
De mármore liso e branquinho,
Que feliz eu não seria,
Ao ver tudo lavadinho!!
De mármore liso e branquinho,
Que feliz eu não seria,
Ao ver tudo lavadinho!!
Ai se a vida fosse fácil,
Se o mundo fosse perfeito,
Que feliz eu não seria,
Com quanta calma no peito!!
Se o mundo fosse perfeito,
Que feliz eu não seria,
Com quanta calma no peito!!
quarta-feira, 29 de maio de 2019
terça-feira, 21 de maio de 2019
De olhos abertos, o mundo é constrangedor:
Cabeças ocas ostentam vaidades,
Gente hipócrita debita simpatias,
Vampiros risonhos aspiram aos céus!!
O homem vulgar, humilde e trabalhador,
Endoidece entre leis e regras de moral,
Entre contas e pudor,
Deita-se extenuado e acorda em sobressalto,
Porque não tem coragem de gritar a sua dor.
Fechar os olhos e praticar a indiferença
É o caminho para atenuar o sofrimento
E conseguir viver num meio tão opressor...
Cabeças ocas ostentam vaidades,
Gente hipócrita debita simpatias,
Vampiros risonhos aspiram aos céus!!
O homem vulgar, humilde e trabalhador,
Endoidece entre leis e regras de moral,
Entre contas e pudor,
Deita-se extenuado e acorda em sobressalto,
Porque não tem coragem de gritar a sua dor.
Fechar os olhos e praticar a indiferença
É o caminho para atenuar o sofrimento
E conseguir viver num meio tão opressor...
segunda-feira, 20 de maio de 2019
Que vida!
Que caminho doloroso!
Que dura peregrinação!
Palavras, aprisionadas,
Semeiam mil fantasmas
Na tua imaginação!
O tempo, ora lento, ora veloz,
Não deixa margens ao sonho
E sufoca o coração
Com um sofrimento atroz.
E os desejos apagam-se
Como o brilho do olhar.
Soma-se dia após dia
E só te resta esperar...
Que caminho doloroso!
Que dura peregrinação!
Palavras, aprisionadas,
Semeiam mil fantasmas
Na tua imaginação!
O tempo, ora lento, ora veloz,
Não deixa margens ao sonho
E sufoca o coração
Com um sofrimento atroz.
E os desejos apagam-se
Como o brilho do olhar.
Soma-se dia após dia
E só te resta esperar...
sábado, 14 de julho de 2018
Já fui forte, poderosa,
Cheia de brilho e vigor,
Testemunha de promessas,
Amparo de desvalidos,
Dei sombra a desprotegidos
E ouvi juras de amor!
Sofri chuva e vendavais,
Ouvi trovões e rajadas,
Perdi folhas e pernadas
E não me dei por vencida.
Já fui casa de pardais,
Em mim gravaram sinais
Era esta a minha vida.
Mas o esplendor já se foi,
Meu tronco cedeu à idade
E fui ficando vergada,
Já não sirvo para nada
E, sem dó nem piedade,
Fui simplesmente cortada.
Restam-me ainda raízes
E, mesmo com cicatrizes,
Teimo em brotar novamente.
Esta vida é mesmo assim:
Sofres sempre enquanto vives
Mas lutas até ao fim!
segunda-feira, 21 de maio de 2018
São múltiplas as vozes
Que ecoam no silêncio
Destas frias paredes
Erguidas como espadas
Em torno de mim
Como ameaças perpétuas
À pouca lucidez que me resta.
São múltiplas as lágrimas
Que brotam revoltadas
Destes olhos exaustos
Que se perdem em buscas
Do eternamente perdido.
São múltiplos os gestos
Que não chegam a ser
Por não terem destino.
Tantos são os medos
Do simples andar
Pelas horas tão longas.
Tão longe o refúgio,
Promessa tardia
Da paz desejada.
Quem me fez nascer
Quem me pôs no mundo
Sem saber se eu queria?
Que ecoam no silêncio
Destas frias paredes
Erguidas como espadas
Em torno de mim
Como ameaças perpétuas
À pouca lucidez que me resta.
São múltiplas as lágrimas
Que brotam revoltadas
Destes olhos exaustos
Que se perdem em buscas
Do eternamente perdido.
São múltiplos os gestos
Que não chegam a ser
Por não terem destino.
Tantos são os medos
Do simples andar
Pelas horas tão longas.
Tão longe o refúgio,
Promessa tardia
Da paz desejada.
Quem me fez nascer
Quem me pôs no mundo
Sem saber se eu queria?
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