Hoje, deixo Álvaro de Campos falar por mim...
Perdi a esperança como uma carteira vazia...
Troçou de mim o destino; fiz figas para o outro lado,
E a revolta podia ser bordada a missanga por minha avó
E ser relíquia da sala da casa velha que não tenho.
(Jantávamos cedo, num outrora que já me parece de outra incarnação,
e depois tomava-se chá nas noites sossegadas que não voltam.
Minha infância, meu passado sem adolescência, passaram,
Fiquei triste, como se a verdade me tivesse sido dita,
Mas nunca mais pude sentir verdade nenhuma excepto sentir o passado.)
...hoje, ontem, sempre... resta-me SENTIR O PASSADO. Ficarás sempre guardado no meu coração....
terça-feira, 25 de novembro de 2008
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Névoa
(Imagem retirada da net, via Google)A vida escoa-se entre os dedos desatentos
O corpo refugia-se no silêncio inconsciente
A alma, perdida, procura a utopia
A esperança dilui-se, o sorriso mente...
Não se encontra norte, nem ponto final
Não se vê saída deste labirinto...
Percorrem-se os dias, as noites, os tempos
Numa embriaguês, própria do absinto...
Quisera vencer, derrotar o tédio
Quisera encontrar um sinal, um guia
Mas este cinzento, esta névoa espessa,
Não deixa que o Sol ilumine o dia...
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Lamento...
Fugaz felicidade
Porque me abandonaste?
Porque deixaste em mim
Um coração petrificado?
Porque me dás, às vezes,
A esperança de um regresso?
Não me iludas!
Não quero abrir mais feridas,
Não quero mais sofrer...
Quero apenas paz
Quero apenas esquecer...
domingo, 28 de setembro de 2008
domingo, 21 de setembro de 2008
sábado, 13 de setembro de 2008
sábado, 6 de setembro de 2008
Mulheres...
Que segredos encerras no teu peito?
Que mistérios são esses que te envolvem?
Tens dentro de ti a força dos ousados,
Procuras, sem medo, partir à aventura.
Não baixas os braços, na luta constante,
Tu és vida, és força,
És mulher e amante...
És lágrima e riso, és paixão e dor
Mas dentro de ti floresce o amor!
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Óleo sobre tela
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Pensar é destruir

O homem vulgar, por mais dura que lhe seja a vida, tem ao menos a felicidade de a não pensar. Viver a vida decorrentemente, exteriormente, como um gato ou um cão - assim fazem os homens gerais, e assim se deve viver a vida para que possa contar a satisfação do gato e do cão. Pensar é destruir. O próprio processo do pensamento o indica para o mesmo pensamento, porque pensar é decompor. Se os homens soubessem meditar no mistério da vida, se soubessem sentir as mil complexidades que espiam a alma em cada pormenor da acção, não agiriam nunca, não viveriam até. Matar-se-iam assustados, como os que se suicidam para não ser guilhotinados no dia seguinte.
Fernando Pessoa, in 'O Livro do Desassossego'
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terça-feira, 12 de agosto de 2008
Num dia tudo se tem, no outro tudo se perde...
Num dia tudo se tem
No outro tudo se perde...
Por vezes, tudo se pensa,
Por outras, nada se mede.
++
Passo dias a pensar,
Não encontro soluções...
Gostava de conseguir
Ser isenta de emoções.
++
Toda a vida detestei
A falta de sentimentos
Mas confesso que me fazem
Passar por tristes momentos.
++
Se eu pudesse decidir,
Abolia o pensamento
E deixava-me voar
Embalada pelo vento.
++
Como não tenho esse dom,
Nada consigo mudar...
Cresci e hei-de morrer
Sempre a pensar, a pensar.
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