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quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Saúde em Portugal

Os nossos hospitais são verdadeiros infernos, onde, de vez em quando, aparecem alguns anjos que tentam diminuir a intensidade do fogo.
Porque falha a humanização dos serviços de saúde em Portugal?
Por que motivo a maioria dos médicos não ouve os doentes nem os seus familiares?
O que leva grande parte dos médicos a falar com os doentes ou seus familiares como se estes fossem mentecaptos?
Por que razão os médicos espanhóis(e de outras nacionalidades) não são obrigados a falar Português? É suposto os doentes perceberem Castelhano e outras línguas estrangeiras?
Porque se fazem tantos exames complementares se, muitas vezes, ninguém os vê como deve ou não sabe interpretá-los?
Será que ninguém se lembra que um doente fica ainda mais doente depois de estar horas e horas seguidas sem comer?
A triagem de Manchester serve para atender melhor ou para "castigar" as "falsas urgências", fazendo com que alguns doentes fiquem dez , doze ou mais horas numa sala de espera, mesmo quando lá dentro nada justifica tal espera?
O que leva a que alguns doentes, de etnias diferentes, sejam imediatamente atendidos? Medo?
(...)
A minha "má impressão" dos serviços de saúde em Portugal é "de experiência feita". Infelizmente. Gostaria de ter uma opinião diferente, mas é quase impossível. E não me falem que o mal está nos edifícios. O mal está nas pessoas, na falta de profissionalismo de muitos, na falta de sentimentos de outros tantos, na incapacidade de perceber o outro, de se imaginar do outro lado. Mas também está na desorganização, na falta de verbas, na má gestão dos recursos. Enquanto os profissionais de saúde forem escolhidos apenas por uma média que mostra que são excelentes alunos mas não implica que sejam bons profissionais e os recursos forem geridos apenas numa perspectiva economicista, continuaremos no mau caminho.