quinta-feira, 31 de julho de 2008

Quadras

Não te fies no meu rosto,
Lê antes a minha alma,
Posso sorrir sem parar,
Mas nem por isso estar calma.
..
Não leias a minha alma,
Se não fores experiente,
Pois poderás enganar-te
E ler algo bem diferente.
...
Não ouças minhas palavras,
Lê antes o que não digo,
Porque, às vezes, falo, falo,
Mas só frases sem sentido.
...
Para leres o que não digo,
Procura no meu olhar,
Já tentou por várias vezes
Mas nunca soube enganar.
...
E se quiseres perceber
O que se passa comigo,
Terás que ir decifrando
O que penso, mas não digo.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Efémera é a vida
Indelével a saudade
Forte o sofrimento
Fugaz a felicidade
.....
Utópica é a esperança
Constante é o querer
Perene é a certeza
Que não te vou esquecer
......
Sentido é o que digo
Diverso o meu pensar
Constante o meu desejo
De te poder beijar

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Querer não é poder...

Dizem que querer é poder
Mas não posso acreditar
Porque já quis e não pude
Tive de me resignar
*
Já fui forte e sonhadora
Já me deixei embalar
Hoje já perdi vontade
E recuso-me a sonhar
*
O sonho comanda a vida
Disse o poeta a sorrir
Mas o que ele não sabia
É que o sonho pode ferir

domingo, 13 de julho de 2008

Indiferença

Sinto-me envolta
Numa indefinível letargia
A que não resisto,
De que não acordo,
Mesmo que a voz interior
Me diga constantemente
Que a vida tem sabor
Que é preciso estar contente...
Mas as forças diminuem
Não há farol, não há guia
E, por muito que me esforce,
É assim meu dia-a-dia.
Num deslizar automático
Sem sabor ou emoção
Vou passando a minha vida
Ao ritmo da ocasião.

sábado, 5 de julho de 2008

Ausência

Sento-me no fio da esperança,
Embalada pelo desejo.
Adormeço nos braços do silêncio,
Mas é nos sonhos que divago.
Não quero acordar...
Quero ficar assim constantemente
Na ausência, no torpor suave...
Quero deixar-me flutuar
Longe, bem longe, como ave...
Mas este sono não é eterno
E um súbito sobressalto
Devolve-me à dura realidade...
Abro os olhos...quero fechá-los
E ficar assim para a eternidade.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Delírio

Sinto-me bem
Sinto-me muito bem
Quando me deixo deslizar
Quando me deixo perder
Na ternura de um olhar
E me esqueço de sofrer.

Sinto-me bem
Sinto-me muito bem
Quando me deixo embalar
Quando me deixo envolver
Nas ondas de um estranho mar
Onde me quero perder.

Sinto-me bem
Sinto-me muito bem
Mas por segundos apenas
Porque abro os olhos e sinto
Que estas palavras amenas
São delírio do absinto.

sábado, 21 de junho de 2008

Dúvida

Secaram-se as palavras
Não há mais, não as encontro,
Nem de dor, nem de alegria...
Anulou-se a vontade,
Perdeu-se a inspiração.
Mesmo que um esforço faça,
Que procure uma razão,
Nada tenho, nada encontro,
Só sinto, só navego
Neste mar de indecisão.
O que fui já não sou,
O que sonhei, esqueci.
Pergunto, não sei porquê,
Nem para que é que nasci.

domingo, 8 de junho de 2008

Pedido


Ampara meu corpo trémulo
Oferece-me os teus braços
Vem deixar-me uma palavra
Apanhar os estilhaços...
---------
Vem afagar meus cabelos
Acariciar a minha alma
Vem tocar-me nos meus lábios
Vem trazer-me a tua calma.
...........
Partiste em longa viagem
Procuro, não sei de ti
Volta, vem depressa, amor
O teu lugar é aqui.

sábado, 31 de maio de 2008

Fúria Matinal

(pormenor)

(Óleo sobre tela - 31.05.2008)
Rompe a manhã
Emerge a consciência
Ergo-me a custo
Deste mar de indolência
O Sol insiste
Em violar o meu espaço
Corro as janelas
Nem sei por que o faço
Na ânsia da revolta
E da mágoa sem igual
Nasceu com gesto incerto
Esta "fúria matinal"

terça-feira, 27 de maio de 2008

Leve brisa fresca...


Leve brisa fresca
Quero-te sentir
Alisa-me os cabelos
Envolve este meu corpo
Devolve-me o sorrir
*****
Leve brisa fresca
Dá-me o teu vigor
Embala-me nos teus braços
Afaga as minhas faces
Afasta a minha dor

Leve brisa fresca
Cerra-me o olhar
Acaricia-me o peito
Toca as minhas mãos
E deixa-me sonhar