segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

É o tempo que fere,
É o tempo que marca
A vida da gente,
Que corta ou desfaz,
Que torce ou deforma,...

Que marca p'ra sempre...
É o tempo que dá,
É o tempo que tira
Seja como for,
Mas também é o tempo
Que, com piedade,
Te cura da dor.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Há tanta coisa que disse,
Tantas que nunca direi,
Tão pouca coisa que fiz,
Imensas que não farei.

Já fui jovem inocente,
E adulta convencida,
Hoje nem sei o que sou,
Na ponta final da vida.

Tive dores e alegrias,
Que sempre achei naturais,
Agora só tenho dúvidas
Algumas que são fatais.

Já vivi de emoções
Que a razão mal consentia
Agora vivo da esperança
De ver o nascer do dia.

Já senti que a vida é bela,
Também já a detestei,
Mas há de ser sempre assim
Que isso também já sei.
Por vezes, é no meio do silêncio,
Que revejo o monótono desfilar
Da estúpida vida que percorro dia a dia,
Em rotinas insanas e vulgares
Na árida solidão por entre gentes.
Sinto-me, então, envolta em dura mágoa,
Que sei não ter remédio, mas que dói.
E, se nesse amargo leito me deixo repousar,
Se da memória tiro fantasmas atrevidos,
Ensombro os dias lindos e as noites de luar.
Procuro o que não tenho, o impossível,
Como todo o ser humano insatisfeito.
Atormenta-me a vida como a morte,
Questiono a razão do meu viver
E nunca sei o porquê de tal desnorte.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

No refúgio sombrio deste silencioso quarto,
Entrego a minha vida ao acaso do momento,
Enquanto a consciência dormita,
Envolta numa irresponsável tranquilidade,
Subtil adiar da busca de coragem
Para olhar de frente o mundo
E dizer-lhe, de olhos bem fixos no horizonte,
Que estou aqui, disposta a não vergar,
E a ganhar forças
Para arredar de mim todos os fantasmas
Que com armas poderosas
Disparam inquietações
Nos meus tão breves sonhos…

sexta-feira, 11 de julho de 2014

É nesta amarga imensidão dos dias,
Que percorro, desamparada, as estradas do silêncio
E, sem fôlego, se me apaga a voz
E se me entorpecem os sentidos.
Tento esbater em mim a consciência
E distanciar-me de mim própria
Como se não soubesse quem sou
E é tão grande o fingimento
Que, quando o cansaço me derruba
E os olhos marejados se entregam,...

Não sei mesmo quem sou,
Não me reconheço quando me observo
E não sei para que sirvo...
Que estranha e indecifrável missão
Terão escrito no programa da minha vida?

domingo, 11 de maio de 2014

Deixo-me ficar inerte
Na penumbra silenciosa do meu quarto.
Evito pensar.
Não quero sofrer,
Não quero sentir ausências nem distâncias,
Não quero sequer sonhar.
Deixo que os dias passem,
Dolentes e vazios como sempre,
E talvez o acaso trace a hora
De repor no meu rosto envelhecido
O sorriso inocente da tranquilidade...

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Queria sair por aí, de rosto ao vento
E cabelos molhados pela chuva
Saltitar, alegremente, neste dia tão cinzento,
Rebolar como uma louca no relvado,
Rir às gargalhadas bem sonoras,
Colher florinhas, apanhar amoras,
Dançar alegremente no eirado,
Trautear uma canção mesmo sem voz,
Mostrar loucuras de um coração apaixonado.
E se depois eu ficasse constipada,...

Cheia de tosse e de pingo no nariz,
Que bom seria a teu lado estar deitada,
Bebendo chá com mel, talvez uns pós
E, mesmo doente, com febre, ser feliz.

segunda-feira, 17 de março de 2014


Como um velho pintor, triste e decadente,
Com mãos trémulas e imaginação perdida,
Procuro desenhar-te o rosto calmo e ausente
Na tela branca a um canto adormecida.
Por cada traço que ensaio neste meu esboço,
Uma memória emerge lenta de outros dias
E quando pinto os teus olhos neles vejo
Sonhos vividos, desejos e ousadias.
Traço teus lábios, em fino gesto delicado,
Lembrando as valsas com que a vida nos brindou,
Neles demoro o meu olhar já magoado,
Quando recordo o que fui e já não sou.
Num gesto rápido, de loucura ou desvario,
Tento apagar os traços que de ti eu sempre amei
Para guardar-te num abstrato vago e frio,
Que só eu leio, que só eu sinto e só eu sei.

quarta-feira, 5 de março de 2014

 
Nada. Absolutamente nada.
Apenas o absurdo
Que se adensa com os ventos
Em dias monótonos,
De toada fúnebre
E silêncios fantasmagóricos.
Nada. Absolutamente nada.
Apenas o abandono
No dormitar contínuo
Que gera o pesadelo

E a vontade vence.
Nada. Absolutamente nada
É o que sei
É o que sinto
É o que posso
É o que quero
É o que tenho
É o que ouso.
Nada.
Um nada absolutamente absurdo.

sábado, 1 de março de 2014

PENSO, penso, penso.
Obsessivamente penso.
E sempre concluo que pensar
Me rouba o sorriso,
Me cansa,
Me dói.