domingo, 3 de março de 2013

 
Larguemos as armas pesadas
Com que tentamos defender-nos
Dia após dia, hora após hora
E entreguemo-nos ao silêncio da noite,
Ao aconchego dos lençóis acetinados.
Procuremos o merecido descanso,
Para evitarmos divagações,
Sonhos desfeitos ou ousados,
Saudades sem remédio,
Cansaços extenuantes.

Procuremos a paz,
O sono, a morte momentânea
Para a vida ingrata
Que nos consome
E a pouco e pouco mata...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Perdida, em busca de mim,
Me perco cada vez mais,
Nos caminhos que percorro,
Não encontro os teus sinais.
No silêncio em que me isolo,
Nem ouço meus próprios ais
E exausta nesta luta
Perco forças e vontade
E meus sonhos são fatais.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Congela-se-nos o corpo num arrepio doloroso
Em busca da alma há muito congelada
E na dor que cristaliza e nos deixa sem repouso
Ficamos imóveis, pois já não esperamos nada.
 
Olhamos o passado, já distante na memória,
Revemos o filme que foi a nossa vida
E já não temos planos, já não temos história,
Pois mesmo a que tivemos já está perdida.
 
Brincamos aos poetas, fingimos renascer
E tecemos poemas p’ra atenuar a dor
Fingimos cantar, fingimos viver
Mas depressa voltamos ao mesmo torpor.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Tanta coisa por dizer,
Tanta mágoa a corroer
E o vazio da impotência
Que me transporta à demência...
Porquê?
Porquê tantos dias sem sentido
Tanto momento perdido
E continuar a viver
Continuar a querer
Estar viva, continuar,
Sem saber por quê lutar...

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Às vezes,
No silêncio da noite vaga e fria,
Consigo sentir-me tão distante,
Tão fora deste mundo em agonia
Que me sinto separar por um instante
Deste corpo que se arrasta em distonia
E vejo-me, lá do alto, tão exangue
Tão sem forças, sem fé, sem um querer
Que  duvido do que vejo,
Pois não reconheço aquele ser.
Nunca chego à resposta.
Ou, involuntariamente, retorno aquele corpo
Ou, então, o sono dissipa a agonia
E, na manhã seguinte, mal distingo
Se sou realidade ou fantasia.
 


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Somos nada, exatamente nada.
Nascemos sem pedir e sem querer
E , depois de colocados nesta nau,
Enfrentamos a viagem atribulada
Sem que possamos decidir o que fazer
Pois a nossa sorte já está traçada.
E somos (dizem) filhos de Deus,
Um Deus grande e omnipotente
Que me faz questionar vezes sem conta
O motivo por que nos fez vir a ser gente…

terça-feira, 22 de janeiro de 2013


Ser...
Ser o quê?
Ser gente, estar viva?
Ser número, existir?
Ser escrava sem dono,
Prisioneira sem amarras,
Revoltada sem luta,
Vencida sem combate?
Não é o que quis,
Não é o que sonhei,
Mas é o que sou,
Nisto me transformei.

Tenho saudades da poesia dos teus olhos
Do toque mágico do veludo dos teus dedos
E sinto a falta da magia dos teus braços
Que me acolhiam e afastavam os meus medos

Vou embalar-me ao som da chuva forte,
Em busca desses sonhos por viver,
E se eles teimarem em não vir
Fecharei os olhos para adormecer...


Cai a chuva nas pedras da calçada,
Num tom monótono, cansado, plangente
E olho-me aqui, sozinha, abandonada,
Como se, no fundo, já nem fosse gente.

E cada gota que cai na fria pedra
Revolve as memórias de outros dias,
Em que me aconchegava nos teus braços
E me sentia imune a frios e ventanias.

O tom cinza e nublado da paisagem
Não deixa ver nem um rasgo de luz
E eu sei que o sonho é uma miragem
E que a vida só à morte nos conduz.