segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Queria que os teus braços me vestissem
Como um fino tecido acetinado
E que os teus lábios selassem minha boca
Como se o mundo tivesse terminado.
 
Queria ser a luz do teu olhar
E adormecer ao som da tua voz
E suspender até o respirar
Para te ter por um momento a sós.

Mas o destino cruel assim não quis
E no peito vai crescendo este tormento
Os meus dias são pintados a matiz
De ténues alegrias e muito sofrimento.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Não sei por que te espero
Na imensidão dos dias
E a esperança se esvai
Com o cair da noite...
Lá longe, distante,

Agitas os meus sonhos,
Mas o sonho é efémero
E a realidade dura.
Eterno é este fogo
Que não se extingue nunca...

 
E divido-me, divido-me
Entre o dever e o poder
Entre o querer e o recusar
Entre o sonho e o castigo.
Todos os dias me multiplico
Em teias confusas de mágoas,
De desejos, de afetos,
De sonhos e utopias...
Subtraio todo o excesso
Por vezes, o necessário...
E torno o resultado negativo.
Somo inúmeros fatores
Que elevo a uma alta potência
E representam as dores
De procurar resolver
As inequações do ser
De me saber um misto
De quase tudo e muito nada
Polvilhado de impotência...
Todos os dias são iguais,
Os mesmos gestos,
Os mesmos sonhos,
Os mesmos ais
E a fadiga desmesurada
Que te adormece
Dias e dias
Para que o tempo
Não dure demais.
Suave penumbra que me acolhes
No teu manto fresco acetinado,
Deixa esvoaçar meu pensamento,
Deixa-me seguir o triste fado.

Quero apenas sentir-me em liberdade,
Embalada pelo mar e pelo vento
E gritar bem alto à saciedade
Tudo o que sinto e trago cá dentro.
 

Talvez um dia te liberte então
E deixe entrar a luz na minha vida
E que ela transforme o meu coração
E lhe dê alegria por vezes esquecida.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Pudesse eu repousar o meu olhar
No teu rosto cansado e entristecido
E percorrer teu corpo devagar
Como se nada tivesse acontecido.

Pudesse eu tocar os teus cabelos
E enrolá-los nos meus dedos carinhosos
E ficaria assim nos meus desvelos
Beijando os teus lábios amorosos.

Mas a vida nada disso nos concede
E o olhar continuará como quem pede
Que este sonho se torne realidade.

E se um dia o sonho acontecer
E eu puder tocar esse teu ser
Saberei que foi boa esta ansiedade.
 
Deixa-me enrolar com lentidão
Nas ondas do silêncio desejado
E com elas percorrer a imensidão
Do sonho de estar sempre a teu lado.

 Deixa-me ficar, assim, no esquecimento
Mesmo que haja sol ou faça frio
E nada mais sentir senão o vento
Que ao longe provoca um assobio.

 Deixa-me pensar que já não sou
Que nada quero, nada posso ou desejo
E que o pesadelo terminou
Com o perfume fresco do teu beijo.

terça-feira, 5 de junho de 2012


Anda comigo ver os aviões
Que se preparam para levantar,
Anda comigo soltar uns balões,
Para que eu possa descansar.

E se quiseres podemos correr,
Podemos mesmo comer um gelado,
Talvez brincar e quem sabe ver
As aves voando sobre este telhado.

Depois podemos andar de mão dada,
Pelas ruelas ou juntinho ao mar,
Trocar beijinhos por tudo e por nada
E ficar assim até ao jantar.

Viremos, então, com a alma nova,
No rosto o sorriso, pleno de prazer,
E ficaremos bem encostadinhos,
Pela noite dentro, sem nada dizer.

Deixa-me ficar muda e pensadora,
Sobre o teu peito tão acolhedor,
E pensar que a vida nunca é traidora
E que estás aqui, junto a mim, amor.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Silêncio

Às vezes é no meio do silêncio
Que recordo a minha vida a cada passo
E me enlevo, e me encanto
Com tudo o que fiz e já não faço...
Às vezes é no meio do silêncio
Que teço esta enorme fantasia
E imagino os teus braços
E o teu sabor a maresia...
Às vezes é no meio do silêncio
Que imagino o futuro por viver...
E recordo tudo aquilo
Que nunca, nunca mais,
Vou querer esquecer...
Às vezes é no meio do silêncio
Que ouso mergulhar em novas águas
E as memórias do passado
Me fazem sentir todas as mágoas...
Às vezes é no meio do silêncio
Que fico adormecida sem querer
E acordo, só mais tarde,
E vejo que a vida é p'ra viver...

(Fantasia ao sabor do trautear da canção "Silêncio e tanta gente", 29.05.2012)

sábado, 21 de abril de 2012


Ouço o silêncio que me envolve
Numa camada espessa de vazio...
Já nada espero,
Nem sei se quero
Voltar a entrar nesse navio

Ou se prefiro ficar
Ancorada para sempre neste cais,
Mesmo que o sol me queime
E a chuva me fustigue
E as ondas me façam sofrer mais.