quinta-feira, 19 de abril de 2012


Não sei porque te espero
Na imensidão dos dias
E a esperança se esvai
Na noite sem calor...
Lá longe, bem distante,
Surges nos meus sonhos,
Num desenho abstrato
Pintado a sangue e dor.
Miragem tão fugaz
Do passado que não volta,
Da memória, da saudade
De todo o teu amor.


Bem aventurados os pobres de espírito
Bem aventurados os loucos
Bem aventurados os irresponsáveis
Os preguiçosos, os caloteiros
Os incumpridores, os falsificadores,
Os traidores, os mentirosos,
Os hipócritas e os corruptos,
Os que não pensam, os gastadores.
Bem aventurados todos eles,
Por terem a esperteza de viver o céu na terra
E mandar sofrer nela os cumpridores!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

 
 
Queria transformar as minhas mãos
Num pincel de finas cerdas, colorido
E desenhar ao longo do teu corpo
Os sentimentos que, falando, não te digo.
Queria ser a tela onde pudesses
Marcar os teus devaneios loucos
E ser também o modelo que usasses
Para me ires desenhando aos poucos.
Nada disso sou e nada tenho
Neste mundo real e tão cruel
E resta-me a solidão da noite fria
E os sonhos desenhados em papel.

Se por um dia, um só dia
Eu pudesse voar em liberdade
Esquecer tudo o que penso
E livrar-me do que em mim é ansiedade
Percorrer montes e vales
Mergulhar nas águas das ribeiras
Descansar no campo bem florido
Eu seria feliz por um só dia
Mas teria forças para ver
Tudo o resto que vivo sem sentido...

quinta-feira, 1 de março de 2012

Hoje quero imaginar-te junto a mim
Numa cumplicidade  promissora
E, de olhos fechados, percorrer
A tua pele macia e tentadora…
Construir castelos no meu peito
E tornar-te para sempre o meu rei
Fazer soar trombetas de vitória
E realizar os sonhos que sonhei…

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Para ti...

É na memória dos teus braços
Que adormeço
Que o sonho me invade
Que a carícia me percorre
Que se afasta a saudade...
É no sonho que te beijo
Que sorrio e sou feliz
Que te toco
Que te afago
Que caminho junto a ti...
É na memória do teu ser
Que sou
Que faço
Que consigo...
É na doçura dos teus lábios
Que ainda vivo.

sábado, 2 de julho de 2011

Se pudesse...



Se pudesse calar as minhas penas
Arrancá-las deste coração dorido
Soltar as amarras do meu peito
E esquecer o quanto ele está ferido,
Se eu pudesse exprimir tudo o que sinto:
A dor, o arrepio, a tortura da lembrança,
O passado, as memórias
Mesmo de quando fui criança...
Se pudesse por um fim ao sofrimento,
A tudo o que penso e me amargura...
Mas não te venço, memória que em mim lavras!
Nem me escorrem as palavras pela pena,
Nem as penas me ficam p'las palavras...

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Desejos

Pudera eu diluir-me na água dos ribeiros
E, disfarçada, percorrer vales e montes,
Ser o azul cobiçado dos amantes
Ou o berço dos nenúfares soalheiros.

Pudera eu ser vapor e nuvem ser
E desenhar meus sonhos no azul celeste
E, quando a minha alma negra fosse,
Transformar-me numa forte chuva agreste.

Pudera eu ser o sol que te acompanha
Ou a lua que sabe os teus segredos,
Ser a estrela cadente dos teus sonhos,
Ser a paz, ser feliz e não ter medos.

Mas nem água, nem vapor, nem nuvem leve,
Nem o Sol, nem estrela, nem a lua,
Sou apenas uma ilusão, 'inda que breve
E aguardo o rio que me torne sua...

domingo, 19 de junho de 2011


Hoje, sinto-me azul
Não verde, amarela ou lilás
Mas antes fresca, calma e audaz
Como se ontem não existisse
E o amanhã fosse só paz!

Sinto-me azul, sinto-me bem
Entre tantas nuvens do céu
E as fortes ondas do mar.
E caminho tranquila por aí,
Em busca do teu olhar...

terça-feira, 7 de junho de 2011

Preciso gritar!!!

Se eu gritar, gritar, gritar.... alguém me ouvirá?
Ou, apenas, me julgará demente,
A mim, que vagueio pelos meus dias,
Tentando perceber toda esta gente?
A ti, que te submetes, cordeirinho,
Às vontades de quem quer que te rodeia;
A ti, que julgas dominar o mundo
Como a aranha domina a sua teia;
Ao outro, que pensando só em si,
Se torna num autista tão profundo...
Se eu gritar, se o fizer,
Não me tomes por louca,
Não ignores o meu grito,
Pára e pensa um pouco:
Eu não estou louca!
Apenas, como tu,
Tenho coração!
E sofro!
E choro!
E grito!
E imploro!
E, quando abro o coração,
E ele abre ao mundo o seu bater,
A mim, que estou só,
Que não me queixo,
Só me resta gritar,
Gritar, gritar...
E, assim, alivio o meu sofrer.