Tento amordaçar as palavras inquietas,
As revoltas e as mágoas bem secretas,
Que teimam em dançar no pensamento,
Na ânsia louca de me causar tormento
E, talvez, levar ao desespero.
Eu, que somo dias sempre iguais,
Que, por vezes, queria de mim mais,
Fico, assim, ausente na penumbra,
Onde nem um brilhozinho se vislumbra.
Não quero do mundo compaixão ou piedade,
Nem imploro aos céus a eternidade,
Mas, se a razão me conduz o pensamento,
Hei de saber o porquê do sofrimento,
Da dor, da mágoa, da tristeza e crueldade
Que em mim tudo destroem sem piedade.
Peço demais da vida? Não o creio…
Nem vejo ousadia ou devaneio
Em querer paz, carinho, amor ou amizade
Em vez de duros caminhos de amargura e ansiedade.