terça-feira, 5 de junho de 2012


Anda comigo ver os aviões
Que se preparam para levantar,
Anda comigo soltar uns balões,
Para que eu possa descansar.

E se quiseres podemos correr,
Podemos mesmo comer um gelado,
Talvez brincar e quem sabe ver
As aves voando sobre este telhado.

Depois podemos andar de mão dada,
Pelas ruelas ou juntinho ao mar,
Trocar beijinhos por tudo e por nada
E ficar assim até ao jantar.

Viremos, então, com a alma nova,
No rosto o sorriso, pleno de prazer,
E ficaremos bem encostadinhos,
Pela noite dentro, sem nada dizer.

Deixa-me ficar muda e pensadora,
Sobre o teu peito tão acolhedor,
E pensar que a vida nunca é traidora
E que estás aqui, junto a mim, amor.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Silêncio

Às vezes é no meio do silêncio
Que recordo a minha vida a cada passo
E me enlevo, e me encanto
Com tudo o que fiz e já não faço...
Às vezes é no meio do silêncio
Que teço esta enorme fantasia
E imagino os teus braços
E o teu sabor a maresia...
Às vezes é no meio do silêncio
Que imagino o futuro por viver...
E recordo tudo aquilo
Que nunca, nunca mais,
Vou querer esquecer...
Às vezes é no meio do silêncio
Que ouso mergulhar em novas águas
E as memórias do passado
Me fazem sentir todas as mágoas...
Às vezes é no meio do silêncio
Que fico adormecida sem querer
E acordo, só mais tarde,
E vejo que a vida é p'ra viver...

(Fantasia ao sabor do trautear da canção "Silêncio e tanta gente", 29.05.2012)

sábado, 21 de abril de 2012


Ouço o silêncio que me envolve
Numa camada espessa de vazio...
Já nada espero,
Nem sei se quero
Voltar a entrar nesse navio

Ou se prefiro ficar
Ancorada para sempre neste cais,
Mesmo que o sol me queime
E a chuva me fustigue
E as ondas me façam sofrer mais.

quinta-feira, 19 de abril de 2012


Não sei porque te espero
Na imensidão dos dias
E a esperança se esvai
Na noite sem calor...
Lá longe, bem distante,
Surges nos meus sonhos,
Num desenho abstrato
Pintado a sangue e dor.
Miragem tão fugaz
Do passado que não volta,
Da memória, da saudade
De todo o teu amor.


Bem aventurados os pobres de espírito
Bem aventurados os loucos
Bem aventurados os irresponsáveis
Os preguiçosos, os caloteiros
Os incumpridores, os falsificadores,
Os traidores, os mentirosos,
Os hipócritas e os corruptos,
Os que não pensam, os gastadores.
Bem aventurados todos eles,
Por terem a esperteza de viver o céu na terra
E mandar sofrer nela os cumpridores!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

 
 
Queria transformar as minhas mãos
Num pincel de finas cerdas, colorido
E desenhar ao longo do teu corpo
Os sentimentos que, falando, não te digo.
Queria ser a tela onde pudesses
Marcar os teus devaneios loucos
E ser também o modelo que usasses
Para me ires desenhando aos poucos.
Nada disso sou e nada tenho
Neste mundo real e tão cruel
E resta-me a solidão da noite fria
E os sonhos desenhados em papel.

Se por um dia, um só dia
Eu pudesse voar em liberdade
Esquecer tudo o que penso
E livrar-me do que em mim é ansiedade
Percorrer montes e vales
Mergulhar nas águas das ribeiras
Descansar no campo bem florido
Eu seria feliz por um só dia
Mas teria forças para ver
Tudo o resto que vivo sem sentido...

quinta-feira, 1 de março de 2012

Hoje quero imaginar-te junto a mim
Numa cumplicidade  promissora
E, de olhos fechados, percorrer
A tua pele macia e tentadora…
Construir castelos no meu peito
E tornar-te para sempre o meu rei
Fazer soar trombetas de vitória
E realizar os sonhos que sonhei…

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Para ti...

É na memória dos teus braços
Que adormeço
Que o sonho me invade
Que a carícia me percorre
Que se afasta a saudade...
É no sonho que te beijo
Que sorrio e sou feliz
Que te toco
Que te afago
Que caminho junto a ti...
É na memória do teu ser
Que sou
Que faço
Que consigo...
É na doçura dos teus lábios
Que ainda vivo.

sábado, 2 de julho de 2011

Se pudesse...



Se pudesse calar as minhas penas
Arrancá-las deste coração dorido
Soltar as amarras do meu peito
E esquecer o quanto ele está ferido,
Se eu pudesse exprimir tudo o que sinto:
A dor, o arrepio, a tortura da lembrança,
O passado, as memórias
Mesmo de quando fui criança...
Se pudesse por um fim ao sofrimento,
A tudo o que penso e me amargura...
Mas não te venço, memória que em mim lavras!
Nem me escorrem as palavras pela pena,
Nem as penas me ficam p'las palavras...